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Setembro
Me arrasta contigonos dias de setembro
quando irei ao teu encontro
sulcada de sonhos
e cantando muda
as confidencias da espera.
Me arrasta nos crepúsculos
lentos e alegres
quando acenderei
o branco dos olhos
com fábulas que recordam
as graças da aurora
recantada nos sonhos,
nina-nana muda,
da manhã longinqua.
Me arrasta
com a impossível piedade
de excesso de coração.
aça eterna a minha noite
os dedos espalhados na nuca
dizendo adeus à saudade.
Tu e eu
na areia incendiada
no vôo
que Deus inveja.
Febre 1
Mergulhe com pressaAté atingir-me todas as angústias.
Nas minhas sobras
na ternura do meu ultimo grito
impregnado em cada poro
de uma ardência que permanece.
Quem sabe...
Se eu pudesse
viver todas as coisas
sem sentir culpa por isso...
Não usar da loucura
para poder estar contigo..
Me chama!!!
Sou a tua parte oculta
a tua mesma parte esquerda
que sente as vibrações
dos músculos exatos
e do desejo com perfume de bosque.
Me chama!!!
Com a força do beijo
o doce dos olhos
e uma febre só minha
por audácia e direito
de te dar
até mesmo
o que nunca tive.
Me chame de puta
com a boca retorcida
que eu sei de memória o teu jeito
e o que fica da tua palavra.
Que escorra o meu sangue
e todos os gestos desta carne contraída..
Mas te amar é ferida...
Porque toda vez que alguma coisa queima
existem os gestos medidos
coração no horário
e este teu sol ardendo muito
e aquecendo excessivamente a lança
que me abre
em tortura lenta.
Me chama!!!
Me ensine a enlouquecer
devagar, devagar,
com a grande loucura
do amor impossível.
Só o que eu quero agora
é que me chame
lacerando a barreira da carne
com olhar cúmplice roubado
e me caia em cima
por todos os lados
na parte interna mais funda
que eu arrisco
e me lanço com ímpeto
ao teu contato profano
com gosto de crueldade
e esplendor
de luz estranha.
Febre 2
Desejo o teu desejoo fogo de tuas mãos que me circundam
e o vasto sortilégio das tuas partes
que até agora, me resistem.
Quero
a carne a cada segundo mais fraca
numa mesma viagem
corpo lento acariciando
e penetrando per completo
tudo
o que faz parte de mim.
Preciso do mesmo grito
ocupando a minha sala,
os fluidos espalhados
forçando
uma abertura qualquer.
Preciso de tua fúria
me possuindo
e criando ritos
que possam liberar
toda a angústia
que habita
minha febre mulher.
Te sentir assim
desejo doendo
um impulso de me abrir
e dizer
que amo tudo em ti
até mesmo
esse teu jeito
de lutar com a minha espera.
Te quero apertando meu corpo
que influencia teus dedos
gerando magia.
Te quero dentro
mistificado ao imprevisto
oprimindo
o delírio sufocado pela dor.
A parte de dentro do peito
propondo
desebsoc5
loucuras
vontades.
Te desejo...
Te quero...
Uma vez mais...
Mais....
43
Esta é a manhã do novo setembropenetrando em meus olhos
confusa e cheia de ternura
como um desejo que entende
a bondade da morte interior
onde surgem a esperança dos iluminados.
Esta é a multidão de raios
que roubamos do sol
quando a tua mão, silenciosa como fruta
tomou a minha mão
para reconhecimento do meu sentir.
( sobre o meu coração...
a tua mão sobre o meu coração...)
Este é o dia dos sons,
dos teus olhos que me invadem
profundos
como o horizonte do meu desespero.
E onde tu estás
agora que me falta o grito
e a tua mão que desenha sobre o seio?
Agora que me falta o teu movimento
que dá forma ao meu corpo
na hora em que os amantes são absurdos
e se elegem iguais
sem ao menos saber reconhecer
a cor dos nomes, do desejo,
da parte daquelas estrelas que nos habitam???
Moço, onde tu estás
agora que os muros do tempo chamam
e chamam
como desnudando o céu?
Porque preciso de ti
urgentemente
e te despir nestes caminhos de verão
que avançam, avançam
como a eternidade
que ocupa o meu céu e a minha água.
Moço, tenho necessidade urgente
de acender a luz da cumplicidade.
44
Não esqueças de mim
De mim
que terminei as palavras
e vejo os dias assim adormecidos
como a eternidade que caminha
nas ruas dos meus pensamentos
vestidos de azul e paz.
Não esqueças de mim
que me perco em frente a um quadro
pintado somente com as cores
que esperam as noites.
Essas noites que trazem a lembrança
de ter feito amor contigo
ontem, há uma semana,
no ano passado, ou numa outra vida.
Sabe,
a mulher que despertastes,
eu a venci.
O vento ou a primavera, quem sabe,
levou embora
tudo o que eu tinha para arriscar,
tudo o que estava dentro
da inferior memória
e das estrelas sem pressa
que perfumavam de suor
esta minha pele
e o seu pecado mais mortal.
Os dias, os coloquei em fila.
E não vou mais apascentar
as minhas estrelas de interior e tão sozinhas
nesses dias que me atravessam
com sons errados,
espécie de gota/sussurro
desejando pudor.
Porque assim são as pessoas
que escolhem raciocinar
antes de traçar o tempo.
Já vistes um olhar que morre?
É como o desenho do limite
entre uma e outra Sole.
Fostes a onda do mar
que atravessava meus dedos
com particular e rara emoção.
Mas era um sonho sem casa
um delírio de tempo/lugar
aliado a uma baleia
e a um ponto do céu
longinquo demais.
Eu a venci.
Morre uma mulher que não viveu
a altura do teu céu
nem o profundo do teu mar.
Sinto muito.
Por ti...Por ela...
45
A primeira estrela é um brilhante
galopando nos olhos.
É uma gota
ou pérola pálida
vestida de festa.
Obediente e perdida
nos grãos negros da noite
que murmuram:
‘ Deus!....’
É ponto de apoio no céu
e vai correndo
em direção ao amanhecer amigo
manchada de prata.
Para poder olhá-la
em meio à fila de anbsoc5
permiti
que a flecha silenciosa
dos teus olhos não emigrados
penetrasse meu peito.
Depois
ainda em dor
lhe disse:
‘Vá!...
Eis que deves pousar
além do mar
onde habita o meu Senhor.’
E entre o amanhecer e o entardecer
de cada dia,
acesa entre as nuvens,
a primeira estrela me saúda
e se vai
sobre um fio de melancolia...
46
Gosto
quando me olhas
com esse olhar de festa
e passeias esses teus olhos felinos
nas minhas coxas
debruçando-os depois
nas minhas partes mais escondidas.
Gosto
quando me chegas
e me prendes pelos cabelos
e me impede de falar
com tua língua molhada.
Amo esse teu corpo
que canta escondido
e enlouquece devagar, devagar
com tudo o que digo.
esse amor acostumado
cheio de cotidianos.
Essa paixão que dilacera
e não sangra.
resíduo de um grito sem voz
que trago na garganta.
Encanto que fascina
feroz.
Que me abre mansa
e me curva e geme
e me levanta no ar.
E me pega com essas mãos
que grudam
instintivas como fera.
engolindo as sementes.
sem deixar alternativa.
E me fecunda
em um contato profano
deixando livre essa fera
que lança, transpassa, te intriga e te caça
em um fogo de alcova
cheio de escândalos
dentro.
47
Escutei a voz de Deus
quando ali, escondida no teu peito
conheci a cor da água
e senti na sombra
do meu corpo de mulher
a semente eleita, perfeita.
que haveria de levar-me
além do vento
além do porto de areia e luzes abertas,
além do infinito louco do teu nome
além das nuvens vagantes
com seus beibsoc5 sem pressa.
Era o segundo dia
da imensidão do teu amor,
e os pés desconhecidos
e a pele que se espalhava dentro
como renascer antes de fazer amor.
Antes de sentir a dor
da ternura de sermos um
como maçã na fatalidade
dos espasmos,
na profundidade da lua nova
quando atravessa o deserto que morre.
Havia alguma coisa em mim
que pedia ajuda
aos sons acostumados sem ti
às flores amarelas da minha realidade
às horas verdes dos suicidas.
E foi assim
navegando tuas águas
que perdi o sono
e a esperança de coisas possíveis.
Porque a flor falava
através dos teus lábios
criando mil delírios
e canções
às baleias e aos pulsos
que celebram essa grande obra.
Tu
que me ensinastes a escutar Deus
agora me levas a uma viagem impossível
no espaço
no coração da saudade.
48
Amo o olhar que canta
enquanto espera para queimar
na deserta praça aberta aos ventos.
Olhar embriagado
que fala de amor
e dorme acariciando meus sonhos.
Olhar que ama
como se ama as coisas impossíveis.
Que me fala
através do atlântico abismo
gritando no ar sem tons
esta ausência de água e palavras.
Amo
o vinho que bebes com gosto,
teus pés descalços andando pela casa
enquanto embalam o canto dos pássaros
sobre os ramos do eterno.
Amo te amar com loucura
como em provocação a Deus.
Amo
as pequenas sombras de montanha
e a luz que ocupa todo meu céu
frágil, interno
como um sol que queima dentro
antes de invadir nossa intimidade
através da fresta da parede improvisada.
Amo
quando me vens na noite desnudando estrelas,
obstinado, desenhando no corpo
o movimento do amor.
Assim como um raio que cresce
e se faz imenso
e me aperta seio/ coração
e me ama
inquieto
entre batidas de asas e desafios.
Amo este reino, sonho, homem.
Mão que me mantém curvada
da inocência ao grito de vida.
Do abraço ao fogo
enquanto a lua sobe, sobe, sobe....
50
Conheci uma outra mulher
que me habita,
feita de reinos e fogo,
desebsoc5 insensatos e vôos sublimes.
Uma mulher assim
em pontualidade com a vida
com as horas
com a luz que se fecha
sobre o bosque interno
impregnando em cada palavra
um pouco de poros e odores,
gritos que colorem o êxtase.
Uma mulher assim
com alguma coisa esquisita dentro
e sempre obstinada com céus estranhos,
com uma grande intimidade
com a terra
e com a umidade interna
que abriga as almas
que criam carne e coragem.
Existe alguma coisa
fluindo nesta mulher que me habita:
ela sente prazer no vento
na extremidade das veias
no ponto fixo que faz festa
quando convida as fadas
para colocarem ordem
no que se esparramou dentro.
Uma mulher assim
tua
que absorve a paisagem
e joga
com essa tua falsa inocência
que parece querer confundir a sombra
com o beijo.
Ela tem um jeito absurdo
de entender as coisas
de sentir o odor das mãos
das estações e da solidão
do silencio em eterna vigília.
Te observa
de longe.
E te sente
silenciosa e grande
cheia de olhos
coração e palpitações.
( pela palavra, que penetra e ilumina)
52
Me destes as chaves
de todas as direções
e acendestes alguma coisa mágica
na extremidade
que pertencia ao céu.
Mas em que mar posso navegar
para frente e para trás
e retornar entre limites e novos horizontes
senão nesse que me penetra
como se tudo fosse um fim?
Esse teu mar que leva o tempo
e os seus desebsoc5 insensatos
até chegar ao êxtase
e restaurar todas as verdades que nos habitam
nas veias
e nos canais de irrigação.
Onde posso me perder
como em labirintos,
e misturar a fúria,
e espalhar o sentir e suas mensagens,
e enlouquecer
como o despertar da ternura?
Onde posso derrubar
esse meu jeito
essa dança doce
como uma noite no tempo?
Onde esse riso
que paralisa o pensamento
e essa luz que busca
qualquer paisagem
como um passado
de conhecidas palavras?
Tens a obrigação
de todos os atalhos
de derramar no tapete
todos os gritos que doem dentro.
De deitar sobre mim
com silencio e coragem
e deixar queimar todas as latitudes.
Todas as idéias de direção controlada
intenções de palavras e impossibilidades
com suas palavras mutiladas na hora da graça.
Diga
onde um mar assim selvagem
e sem racionalidade
senão em ti
que estás me ensinando a navegar?
Homem
Homem
de raízes
de sol e de vento
que habita meu sonho
com infinitas mãos
deixando no corpo
as marcas dos dedos
das águas
fazendo de mim
um conflito
de suor e névoas.
Homem
de asas
de perfume de noite
que me escutas o pulso e as veias
retalhando sulcos
e enchendo a minha casa
de voz e respiração.
Homem
que te refletes
nas margens da aurora
pele de amora
pintando estrelas
nos poros
no norte
que o vento anuncia.
Olhar que embala
o meu sangue de aço
e me prende em um abraço
lento
dançando louco
me inaugurando no teu amor.
Homem
que amo
mande embora a solidão
que me ameaça
e me cobre
no dia de graça.
42
Não sei onde é o porto.
Nem onde é um ponto seguro.
Porque hoje
até a água está viva,
incendiada pelo calor
das almas desesperadas.
Agora há pouco
me sentia como um pássaro
asas cortadas
sem ninho
e sem canto.
Nada para esconder o desengano.
A água está viva
e as ondam parecem o povo
que cai morto
debaixo do brilho de mil idéias.
E as idéias são pedras
escondidas do sol
que trabalham, rolam,
se partem e choram
desejando misericórdia
ou pouso.
Mas os corações nus do povo
se cobrem de loucura
e se unem
como sombra à sombra.
como eu sem ti
ou tu sem mim,
e não consigo ver
no escuro.
Estou incluída nos muros
e ainda que te ouça
eu, de mim,
estou ausente.
A água está viva
e teus olhos, espelhos.
Tuas mãos me tinham
coração e amor
mas tu abriu as mãos...
Estou aqui...
ETERNO-P.San Paolo-TV
Te conheci no barro de origem
no princípio do tudo
quando juntos aprendemos
do vento, do sol,
do mar e da renuncia.
Depois, por mil anos
viajamos
no desespero, na sombra
e na solidão dos continentes.
E nos alimentamos e respiramos
entre sonhos e rochas
e respiramos a luz
até o longo e silencioso inverno
penetrar no ar dos sonhos
e em todas as noites
em que fomos
veia do mesmo sonho.
No tempo dos reinos sem força
deixamos morrer o coração
surpreso e inocente
com mil gritos no fundo
s olhos profundos
e assim aprendemos ainda
o nome da fruta
e da pomba da paz
e dos pássaros amarelos
e das flores solitárias e tímidas
que brotam nas pedras dos rios.
E permanecemos mudos
entre relógios e policiais
e máquinas de escrever
e palavras falsas
e pureza de sonhos suicidas.
E nos encontramos ali
através dos sonhos do tempo
no sabor das danças novas.
Mas não estamos salvos.
Porque cantamos mais uma vez
a mesma canção
de distancia e invisíveis mãos
de saudade que não espera
de esperanças arranhando as manhãs
de noites e noites juntos à dor solitária.
Do livro: "Saciedade do Poetas Vivos", vol.VII, Blocos, 1995
RJ
Querer definir minha sede
é decifrar a origem do sol,
fluidos lúcidos,
horizontais verticais.
Eu te previno:
sou remanso, sou rumor;
nutrida de êxtase
sou gota de amor.
Agrido e preciso,
diluo e me vou.
Ah, mas este grito aflito
em posição de cor
alerta a fonte úmida
e te atinge na barreira
que cresce
levitando o som.
SOLIDÃO-No livro Saciedade dos poetas vivos-RJ
Os anbsoc5 que pintam cores
por detrás da música
acolhem o fogo com tanta intensidade
que já não vejo inocência
nos desafios que me completam.
É como se o coração, condenado,
não admitisse a alma
e procurando perder-se
fechasse os sentimentos
onde não passa a sabedoria.
MEU ANJO DA GUARDA
Meu anjo da guarda
parece ter as asas cortadas.
Vem como barco
prá me salvar
aqui
onde estou ancorada.
Olha o meu íntimo
e desamarra as possibilidades.
Não se doma a consciência.
RIO MAR
O que existe em mim
está misturado às ondas
e se confunde
com o verde do fundo
que deseja acalmar a luta
do coração absoluto.
Não perguntes
porque sou da cor do mundo
nem porque trago nos ombros
essas asas.
Nem porque meus joelhos são assim
como de um anjo ou multidão
envolvidos de resistência.
Existe um sonho sem medida
caído na noite
na qual fizemos
o fogo e o silencio.
Dentro e fora das leis,
um mar assim
inundando o interno e o externo,
penetrando nas dobras
que te levam pela mão
com desejo de justiça
e profundidade.
O que existe em mim
atravessa as paredes
e é capaz
de impregnar
no verde da água
o grito aderido ao sol
que guia a respiração sem controle
na pálida superfície
onde és reflexo
e onde o arco é um rio que dói.
Porque me habitas dentro
perto do coração
e és de um galope assim tão fogo
que me abres as portas
com o corpo cheio de essências amargas.
No fundo da água,
da minha água,
uma palpitação te agarra,
rouba teu oxigênio
e te devora....
REAPRENDENDO
Me dê a honra do teu sol
porque acendestes
da terra até o céu
uma chama que dança dentro,
e respira igual à luz da manhã.
Louca...
que de tão louca
tem sabor de pecado escondendo segredos.
Me dê o mistério
que penetra nas coisas e em mim
fechando-me os olhos, quase sonho,
com gemido de dor
necessária e imprevista
como o fogo
quando depois de ter esperado
mil anos por detrás do encanto
encontra a sua identidade.
Onde posso pousar a angústia
que mora dentro de mim
se me vens assim
tão próximo à realidade
liberando nas minhas noites
a respiração
que respeita o teu silencio?
Eu tinha aprendido
a olhar as paredes.
a observar os mesmos lugares
que se levantam
contra o vento.
E eu entendia a dor das almas
que se escondiam
e encontravam a si mesmas
somente em frente ao espelho
ou na respiração íntima
do galope que voa.
Mas a parte mais central e difícil
ficou no corpo, na carne e no peito
como um rio que eu nunca tive.
Por favor, me doe alguma coisa
que me permita viver sem ti.
Porque criastes o meu delírio
e inventastes uma saudade
que não pode esperar.
NOTURNO
Teu olhar dói
em mim
porque muda
todas as coisas.
Dentro da minha retina noturna,
o meu sonho de te ancorar
em qualquer coisa que se abra
livre e fecunda
como a eternidade
de um mesmo andar.
Sou a tua luz na longa noite
queimando uma vida cega
que não quer ser sonho,
que não pode ser mar.
E' um sentir que faz parte...
moinhos girando,
loucura de mãos....
Te amar...Juntos...Nós...
Parindo gritos,
asas doendo,
tudo de dentro
perfeito e real.
Mas está doendo...
Dói muito a insônia do caminho,
tua mão devolvendo o ninho
fera divina,
paixão em mim...
Dentro da noite
é necessário emergir
a consciência
porque só o que posso inventar
entre os cílios desse teu olhar
é um sonho que te possa embalar...
A MENINA E A ESPUMA
Buscarei ainda a sombra de uma vida,
aquela que despertava doçura nas manhãs de amor.
E aqueles pensamentos que desciam por sobre as águas
para desfazer a angústia dos dias.
Mas o cansaço das minhas mãos não alcança a luz
e existe desespero na carne perseguida pelo tempo que foge,
foge sem deixar-se penetrar pela beleza.
As estações se afundam em águas mortas de folhas apodrecidas
e transparentes solidões.
E invocam sobre os ramos um resgate ou um fim.
Um vento leve sopra sobre meus brinquedos de infância,
guardados com fé em uma noite, na dor do silencio
e agora sei que não existem cantos
que possam reviver as minhas fadas
exaltadas pelas ilusões.
Os homens, na escuridão das estradas esquecidas
recolhem qualquer lembrança
entre garrafas quebradas
e eu percorro o itinerário
de caricias distraídas,
de horas marcadas sem estrelas,
de sinfonias degradadas
em seu ritmo
pelos rumores do vazio.
Mas nesse tapa na cara
onde parece
que a harmonia dos templos
desmorona
em pequenos montes de ruínas
e o olho persegue
o azul de um mar
que a cada dia
fica mais distante,
não acredito
que o limbo
seja a amarga solução
para a salvação.
Permaneceram pétalas intactas,
emaranhados de sol no escuro,
o eco de uma sentença pura e limpa
que há tempos, com sua verdade, tocou o céu.
E o corpo da menina submissa, submerso,
deixou sobre as ondas um oráculo de espuma
que me persegue com sua alegria enlouquecida.
Então é inútil que eu atice o fogo do verão
para que queime tudo com a sua melancolia,
se basta apenas um sorriso
um indício de paixão
um protesto pela vida
para transformar os dias passados
no nosso amanhã.
TE ESPERO
Do nada veio o teu riso,
a doçura e o canto
que me renovam o olhar.
Um canto silencioso,
de horizontes altos e
de danças triunfantes
despertando as sementes.
Cuida de mim com a tua solidão
e te abandona totalmente no jogo
para que eu possa te doar a imensidão
Cuida de mim com o deus que te convém
e interrogue aos céus
para que eu possa te chamar
e te confundir
aqui
onde iniciam os caminhos
que parecem únicos.
E viaje em mim, amor.
Nos mesmos lugares desconhecidos,
nos pés que avançam eternidades,
nas sombras que ocupam os céus e as águas,
no que foi deixado suavemente cair,
nos meus reinos de força inocente,
no obsceno que chove sobre o meu coração,
nas minhas mãos que são tuas e de ninguém,
no abandono que cabe nas noites e no vazio.
Viaje em mim
que te ofereço as lágrimas e o desejo,
o anjo que dança e conduz,
o amor que perseguimos e habita em nós.
O caminho é o espaço
entre tu e eu.
E o tempo
é o dos nossos passos.
QUASE CANÇÃO
Onde está a canção
que respira da sua própria melodia
e arranca da noite
o sol?
No nada
ou na solidão
de um único amor.
Na paixão de todos os beibsoc5
em meio ao abandono
onde morrem as esperanças.
Onde está a canção
que fala do mar e de tudo
do horizonte e desespero
que são partes do jogo
onde ganhamos a nós mesmos?
Está
onde silenciam os pássaros
sentinelas dos rios de dentro.
Nos amantes
e em todas as criaturas
que repartem as manhãs.
No mistério que nos separa.
No movimento solitário
da mão que desenha sonhos.
Buscando respostas.
Respostas dentro de mim.
DA COR DAS ÁGUAS
Somos os caminhantes dos furacões
os caminhantes da água
do céu e da terra.
Já fomos até as estrelas
em busca da estrela interior
ou da alma da estrela.
E nada nos separa:
nem o infinito da desilusão
com seu canto desesperado
nem o medo, nem a culpa.
Porque juntos
vamos aos confins do mundo
e levaremos junto os verões
e todas as estações
as casas e os ventos
os amigos, o porto
e as janelas abertas.
Nos somaremos ao infinito
e perguntaremos os nomes às nuvens
em cada entardecer.
Levaremos um eterno diálogo
e o menino e menina que habitam em nós.
E nosso barco deslizará mar adentro
e conheceremos as montanhas de fogo e rocha
os vales onde habitam
os que conhecem o êxtase.
Juntos, um no outro,
iremos até o infinito de Deus
apoiados na pele do tempo
e juntos, nos quatro cantos da terra
e nas águas que se levantam no vento,
conheceremos as grandes imagens do desejo e da paz.
Tudo, tudo na cor das águas.
AO MENINO DA BICICLETA AZUL
Menino, que anda nos trilhos
atento ao instante.
De magreza extrema, amando e sorrindo
com um coração que me pertencia.
Voz de paciência
livre nos caminhos da minha insônia.
Se me acordava com uma carícia
logo se perdia, doce,
nas horas de contemplação.
Menino de olhos maduros,
inconstante,
mais forque que a circunstância,
usando gravata borboleta
alheio a sua vontade.
Jura amor a acredita.
Um bem querer que passou a ser doído
e me surpreendeu
numa quase piedade de mim.
De mim,
que trago muitos outonos
e andava inutilmente
em meio a jardins modestos
como flor sem haste.
De mim,
que desfaleci
e me afoguei numa última doçura
espremendo o coração.
Sou um pássaro sem ar
e já não quero respirar.
Me chamam para o silêncio,
meu filho,
menino do meu maior amor.
CRÍTICA
Porque atiçar quem vai morrer primeiro?
Melhor seria gritar silêncios
e não provocar espantos.
Não deixar acuado o sangue e o vinho.
Não ferir nem devorar.
Se a corrida do tempo é nossa,
para que querer adiantamentos?
Que palhaçada é essa,
de provocar cegueira, amarrar sentidos
e criar tropeços na própria consciência?
Esqueça a rua, o curinga, a fita e o pudor.
Malicie os segredos.
Não cumpra promessas, nem as faça.
Aponte para a nascente
e esfregue a cara na solidão que te habita.
Sorria mostrando a gengiva
e não brinque de assombração.
Melhor ser apenas menino
e fazer de conta que perdeu o medo.
PARA A MENININHA DORMINDO
Será preciso coragem
rasgar horizontes
pôr a mão em outra mão...
Levar a raça no peito
e na testa, a marca.
Passo a passo.
Pensar com serenidade
de olho na realidade.
Suportar o mundo nos ombros
e, sobre a cabeça,
o amor pelo semelhante.
Menininha dormindo,
há um jardim ali em frente.
Praias, ruas, céu...
Não esqueça de ser doce
de viver a expectativa do milagre
pois o homem
tem terrível participação
nos naufrágios de auroras,
na invisibilidade de justiça
e nas imperfeições da criação.
AMOR DE MÃE
Como claro de lua brilhando em meu ventre
modelei-os, não com as mãos,
só coração.
Não arrogantes, mas carentes e carinhosos.
Não lhes desejo dias nevoentos,
apenas crepúsculos e doçura.
Nunca lágrimas,
apenas risos, verdades e asas.
Se pudesse lhes daria
não apenas o universo, o tempo, o heroísmo,
a genialidade a beleza e o conforto.
Eu lhes daria, na palma da minha mão,
as cores do arco-íris, os mares
e o poder de transformação..
A natureza como herança
e todas as definições
para que nunca restassem dúvidas.
Com a vida queria dar junto
o mundo, as luzes, as cores, os pássaros e o saber.
E sem dispensar, é claro,
a tão sonhada e desconhecida felicidade.
FELIPE ( 25-11-1983 )
Novembro, mês em que as cigarras cantam
e as flores povoam, com seu perfume,
todas as ruas do nosso pequeno mundo.
E aqui estás!
Pequeno, forte, moreno.
Eu te darei, além da vida, o amor infinito
e toda a minha bondade e paciência.
Que aprendas todas as linguagens e falas,
que saibas somar o que falta
e multiplicar as pequenas sobras.
Que saibas de amor, justiça e perdão.
Ouço teu primeiro canto de vida
e te digo: Bem-vindo!
Bem-vindo, meu primeiro filho!
GABRIELA (21-03-1986)
Um sonho bem elementar,
feito não de promessas, mas de realidades.
Cabelo balançando sem vento,
sorriso doce como algodão.
Sei respeitar teu silêncio, pequenina,
enquanto ouço a tua respiração.
Igual à luz atrevida,
atravessando
os limites do amor e da intimidade.
Eu te tenho,
te guardo, te protejo e te defendo.
E eu te amo.
Ah, como eu te adoro, pequenina Gabriela.
DESCENDÊNCIA
Desenhei duas vidas: projeto e geração.
Um traço breve aqui, um compasso ali.
Uma canção para ninar,
uma forma exígua, braços paralelos,
olhos sem fadiga.
Elaborei inquieta
coração consumido, desprotegida.
Nem nomes existiam.
Das incertezas brotaram choros doces,
sorrisos leves, gestos desiguais.
Festas nas coisas mínimas,
seriedades repentinas.
Fascínio de Netuno e Sereia.
Estandartes que me sustentam.
MÃE
Como a semente dos campos
germinar
e por amor, mãe,
a tendência é ser teu rastro.
Tuas atitudes e consequências
no tempo que a vida permite.
Silêncios que refletem teu olhar nos meus olhos,
direções e sequências nas mesmas condições,
aparências que nos aproximam,
te definir me refletindo,
edificando na imitação dos teus movimentos,
compreendendo, fazendo uso de tua sabedoria.
Sustento meu mundo
observando as tuas direções e rumos.
Exemplo de vida,
quanto bem me fazes, Amélia...Mãe!
PARTICULAR
Menina, sardenta e magra;
depois, mocinha sonhadora e neutra.
Juventude tresloucada,
músicas, canto e alucinações.
Muitos amigos, muitas teorias.
Subsequente, me tornei meio poeta.
Sem fazer uso de sofismas
e sem ser rumorosa, rotulei minha testa.
Me tornei senhora e permaneci.
Vídeo
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